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Mostrando postagens de dezembro, 2021

Pra Filmes de Super Herois e Cultura Pop em Geral, Conhecimento é Fraqueza

  Eu não lembro das palavras exatas, mas era algo no sentido de “muito estudo e dedicação”. Estou falando do primeiro filme do dr. Estranho. Benedict Cumberbatch estava querendo saber como se tornar um feiticeiro e Mordo pergunta a ele como ele se tornou um respeitado cirurgião e o Strange responde, “com  muito estudo e dedicação”. Mordo ri e diz que terá que ser da mesma forma. Esse é um dos meus momentos favoritos dos filmes da Marvel. Resume o espírito ligeiramente subversivo desse universo cinematográfico, honrando a tradição dos quadrinhos do Stan Lee. A subversão é que Stephen Strange irá se tornar o Mago Supremo da Terra não porque os deuses decidiram que seria divertido dar poderes de nascença praquele sujeito, mas porque o vivente vai meter a cara nos livros e tomar muita porrada (metafórica) até aprender como essa coisa de magia funciona. Pode parecer pouca coisa, mas perto do universo fascista do Zach Snyder e da DC, onde todo o mundo já vem com superpoderes de fábr...

Bond, o Subversivo parte 1 - Mulheres

 Na postagem que fiz sobre o Sérgio Moro, afirmei que James Bond, quando apareceu no cinema, era um personagem subversivo. Como o capanga pessoal da Rainha da Inglaterra, servo do mais clássico império colonial europeu, machista comedor  e misógino pode ser subversivo? O homem é um ícone conservador, um fascista com um charme arrebatador, mas um fascista claramente racista. Como assim ele era subversivo? O Satânico dr. No deve ter batido nas telas com um impacto impressionante. Levado pelo meu pai pra assistir, num festival no velho Coral/Scala, 13 anos depois, me foi um  choque. Naquela época mocinhos cínicos e sexualmente ativos eram Censura 18 anos - e essas coisas não passavam na tevê, pelo menos não num horário assistível para moleques de 10, 11 anos. Ver o mocinho (!!!) calmamente levar pra cama uma vilã (nem um pouco disposta, mas precisando fazê-lo pra manter o plano), imediatamente em seguida pô-la na mão da polícia, armar uma isca para um assassino e aguardá-lo ...

Moro num País Tropical

  Como era óbvio e previsível desde que apareceu nos noticiários, Sérgio Moro apareceu como candidato à presidência. Ninguém ganha uma capa “ele salvou o ano” de uma Veja em sua época ainda relevante em vão. Mais uma vez vão tentar empurrar um messias sem laços com a política tradicional. Pouco importa que ele tenha sido Ministro da Justiça ou que ele seja reconhecidamente um  juiz venal, parcial, que assumiu uma posição politizada num processo que teve que ser anulado por causa disso. A fantasia de imparcialidade cultivada pelos conservadores continua. Em seu provincianismo, essa é a única maneira de se conseguir fazer alguma coisa nesse país. O próprio Provinciano do Paraná esclareceu como funciona esse raciocínio, quando vendeu seu “projeto anticrime” explicando que os policiais poderiam agir como agentes de seriado americano. Esta é a referência, não só de seu público, como dele mesmo. Cultura pop americana. Esse é o preço que se paga pelo conservadorismo provinciano. O pe...