O Homem Precisa da Arte para Não Morrer da Verdade
Quando eu fui visitar o meu compadre Zé no ano passado, tirei uma foto da praça central de Paraty bastante atraente. Melhor ainda ficou depois que acertei a perspectiva, com os lindos sobrados mostrando linhas paralelas. E mais ainda depois que, no editor do celular, cliquei num necessário, porém feio, latão laranja de lixo, e o apaguei, deixando a cena bucólica e simétrica. Fã de tecnologia que sou, mostrei o resultado final ao meu compadre e me preparei para uma nova captura da Procissão do Fogaréu com o fiel celular. Zé, então, com seu jeito contrariador dele, não resistiu a um comentário sobre a pretensa foto, “você sabe que isso não é real, não é?”. Ao que eu respondi, “cara, vou te contar um segredo. Fotos NUNCA foram reais”. Também lá nos meus 22 anos, por causa de uma moça que estava querendo se tornar atriz, li um texto que ela me passou do curso que ela fazia com a Bia Lessa. Se não me engano, era Diderot, dizendo que o ator perfeito não participava da vida, apena...