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Viva o Pensamento Renascentista

  Tem um conto do Isaac Asimov, agora eu esqueci qual, sobre um mundo onde as crianças aos 7 anos entram numa máquina que baixa instruções pra cabeça delas e elas saem sabendo ler. Ninguém vai pra escola. Aos 20 anos, a garotada – presumivelmente depois de passar a adolescência toda chapada, imersa em sexo e álcool – volta mais uma vez pro mesmo lugar, dessa vez pra se ligarem numa engenhoca que vai analisar as sinapses e os neurônios dos viventes, decidir pra qual carreira a mente deles é desenhada e eles receberem um daunloude do curso pro qual foram designados. O protagonista sonha em ser, se não me engano, algum tipo de engenheiro eletrônico, físico ou inventor (ou então “cientista”, naquela vaga definição que envolvem Reed Richards e Peter Parker) e passou sua juventude lendo muitos livros sobre o assunto. No dia em que ele vai lá receber o curso na cabeça, os orientadores lhe explicam que ler sobre o que gostaria de fazer não influencia a máquina, só o que interessa é o que e...

Seja meu Troféu, meu Amor

 Meus amigos de Caralivro insistem em ler feiquenios e raciocínios simplórios e literais dessas páginas conservadoras viralizando o que naquelas plagas passa por inteligência e cultura (céus, tem saites e vocetubos de Cavaleiros Templários!). O modelo deles, é claro, é o Olavo de Carvalho, que normalmente é jogado no mesmo saco de seus seguidores (ou devo dizer acepipes, como o assecla que chegou a ministro da educação?) pelo povo que não se deixa impressionar por suas falácias. O que é um erro crasso, sobre o qual falo depois em outro textão. Este é pra falar da minha galera que não resiste a postar 1 comentário provocador no Caralivro de influenciadores fascistas com milhares de seguidores concordatários, o que leva o algoritmo do Feice a jogar a postagem na minha Linha do Tempo. A postagem do reaça era sobre como homens PRECISAM abandonar as mulheres que venham a traí-los. Não o contrário, porque mancebos podem ceder a uma tentação sem deixarem de amar sua parceira, sem maiores ...

Detectorismo com "C".

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 Em março deste ano Luiz Lima começou a tentar levantar um troco com seu detetor de metais na praia do Flamengo. Como esta é a era em que todo o mundo aspira a ser o próximo astro do vocetubo a enricar, mesmo que trate de um tema aparentemente irrelevante, ele tem seu próprio canal de "Detetorismo", sobre suas mais inesperadas descobertas nas areias aterradas na foz do Carioca. Moedas não dão muita coisa, o que vale a pena mesmo são relógios e jóias. Mas estes são mais raros - afinal, quem não vai dragar metros e metros cúbicos de areia atrás de um pertence valioso e muitas vezes com forte ligação emocional? E ainda é preciso afastar os picaretas que, ao verem-no encontrar algum objeto precioso, imediatamente afirmam ser os donos e terem acabado de perder. De qualquer maneira é sempre bom saber que ele está nessa pela aventura (a ser acompanhada no seu canal) e pelos trocados, e não para abrir caminho para os blindados inimigos.

Quando Fantasias Infantis São Levadas ao Poder

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Recomendação de Netflix

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Pra quem reclama que Netflix só em filme ruim, eis que hoje a plataforma botou no ar ELES VIVEM, o clássico mais engajado de John Carpenter (ao lado de sua participação em MESTRES DO TERROR sobre zumbis da Guerra do Iraque).  Nunca lançado no Brasil em DVD e com uma passagem meteórica pelas telas cariocas em 1988, a fita é, ao lado de Robocop, a mais abertamente politizada (e antineoliberal – céus, quantos prefixos!) ficção científica dos anos 80. Basta ver a premissa: um operário desempregado que não entende o que houve com os “bons tempos” ganha acidentalmente uns óculos que lhe permitem ver que a maior parte do povo endinheirado é na verdade alienígena e que todos os anúncios e produtos culturais (revistas, filmes em VHS – anos 80! -, livros de banca) são na verdade ordens subliminares (“durma”, “compre”, “obedeça”, e por aí vai). John Carpenter é um raro cineasta considerado (ao menos por um povo) um autor, mas que confessa que gostaria de ter trabalhado na era do sistema de es...

A Marca da Mediocridade

 Nos anos 70 a turma do Pasquim dizia que “ritiba” em tupi-guarani significava “do mundo”. Nos anos 80, entretanto, a capital do Paraná obteve alguma proeminência por dois motivos: um deles foi Jayme Lerner. Numa época em que os estados mais poderosos votavam firmemente na oposição, Lerner chegou ao Palácio Iguaçu e chegou a ganhar elogios mesmo do pessoal da esquerda, e ainda nos estertores da ditadura militar. Um dos experimentos urbanísticos dele foram corredores exclusivos para ônibus, com paradas onde as pessoas entravam pagando passagem, tornando o embarque rápido e ágil. Se isso soa para você como um “VLT”, aquele tipo de transporte que tem no mundo todo, é porque, sim, a ideia veio exatamente do Lerner. A outra razão pra Curitiba ser motivo de conversa era por sua vocação para a mediocridade. A cidade era capital não só do Paraná, mas também da mercadologia da época - talvez ainda o seja hoje, mas não se comenta tanto o assunto hoje em dia. Todos os produtos a serem lançado...

A Malabarista, o Engolidor de Fogo e o Trapezista

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